Relato: Primeiro Fórum da Internet

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Participei do primeiro Fórum da Internet que aconteceu em SP nos dias 13-14 de outubro. O espaço foi divido em trilhas para discussão de temas pertinentes ao presente e futuro da Internet no Brasil, baseados nos Princípios para Governança e Uso da Internet (conhecido como o decálogo do CGI). Na toada do que discutimos sobre REA+Cultura, participei da trilha sobre Diversidade e Cultura. Primeiro dia de público diverso – movimento negro, feministas, indígenas, pontos e pontões de cultura, fora do eixo, entre outros. A diversidade do nosso sub-fórum contrastou com a mesa de apresentação inicial, que contou com interessante abertura de Demi Getschko sobre a história da internet. A mesa de abertura, correta e duramente criticada pelas mulheres presentes no evento contou com 13 homens e somente uma mulher.

Não posso dizer que ouvi nada de muito novo nas reeinvidicações e relatos, todos muito pertinentes. Alguns poucos embates quanto a temas como o fomento à plataformas de publicação de conteúdo públicas ou financiadas com dinheiro público, e modelos de distribuição de remuneração para artistas e produtores (micro-pagamento?).

Como outros, senti que pouco foi agregado pelos resultados do Fórum à discussões anteriores como o Marco Civil da Internet, e os resultados da ConfeCom. Isso não seria um problema, já que reafirma as demandas e as bases do movimento. O que me pareceu senso comum também é que a organização do evento não promoveu o debate e troca entre os participantes. Tivemos todos oportunidade de manifestação (cada um podia se inscrever para falar por 5 minutos), mas poucos esforço para organizar um debate efetivo em grandes ou pequenos grupos – coffee break e almoço não contam.

A tarefa não é fácil, mas precisamos lutar contra esse formato ineficaz. Não precisamos de “mesas de abertura” que duram horas com pessoas importantes e que pouco dizem sobre o tema (sem contar o problema do palanque político). Precisamos do formato 1-para-muitos para boas palestras mas não para o falas desorganizadas e demoradas (o microfone é um amplificador de poderes). Precisamos nos atentar a diversos modelos de organização (pequenos grupos, protocolos para conversação, objetivos e metas negociadas) entre outras ferramentas democráticas, para garantir oportunidade a todos os presentes que participem e possam sustentar um diálogo mínimo — é para isso que nos damos o trabalho de fazer reuniões presenciais.

Saí pouco antes do final do evento, quando a mesa relatora final começou seus relatos. Parecer após parecer foi lido ao microfone – informação demais para ser anotada ou organizada por quem ouvia. Vamos aguardar o documento final, que deve se consolidar ao lado de outros, como mais um documento norteador das demandas da sociedade civil em torno do que queremos para a Internet brasileira.

Valeu. Mas creio e espero que o segundo Fórum será diferente.

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