Seminário REA: Desafios e recomendações

Como ponto final do seminário sobre REA, os participantes escreveram reflexões sobre REA abordando desafios e recomendações diante das questões levantadas ao longo do seminário.

Elaye Morais, aluna do de Computação da UNICAMP. A Elayne ressalta dois aspectos importantes – a relação com os métodos tradicionais de publicação, e a pequena porcentagem que a comunidade brasileira representa na produção de REA.

Desafio
Um desafio que o movimento REA no Brasil deve estar preparado para enfrentar é a resistência por parte das indústrias editoriais. Engajar os professores na produção, utilização e compartilhamento de recursos educacionais abertos pode ser visto pelas editoras como uma ameaça, já que elas obtêm grande parte de seu faturamento da venda de material didático para o governo.
Recomendação
Uma sugestão para amenizar o problema é que o movimento REA se apresente como complementação ao modelo atual, trazendo benefícios como a adoção de práticas colaborativas, e não como substituição desse modelo.

Desafio
A comunidade REA no Brasil vem crescendo, mas ainda é pequena se comparada ao movimento internacional. A língua é uma barreira, já que a maior parte do material produzido são em língua inglesa. O material produzido em língua Portuguesa, no entanto, pode ser útil para países africanos.

Recomendação
O trabalho nas escolas deve servir não só para orientar os professores, mas também para engajá-los na comunidade REA. Na medida em que os professores forem conhecendo o assunto e experimentando a prática, deve haver um esforço no sentido de incentivar e orientar os professores a participarem da comunidade. A comunidade deve se mostrar receptiva e oferecer informação de fácil acesso para aqueles que queiram se juntar.

Daniel Nascimento, aluno da Pedagogia.

“Um dos maiores problemas enfrentados para o sucesso dos Recursos Educacionais Abertos parece ser o medo que as pessoas, notadamente os professores e alunos, evidenciam ter do termo “aberto”. Infelizmente, muitos parecem acreditar que o compartilhamento de suas produções intelectuais sem retornos econômicos diretos é sinônimo de prejuízo. Ademais, nota-se que as pessoas entendem que este compartilhamento geraria críticas, estas entendidas como coisas negativas, não como elementos que possibilitariam o desenvolvimento de produções melhores.

Esta situação poderia ser contornada através de transformações no processo de formação de docentes no país. Atualmente, a maioria dos estudantes que concluem cursos de licenciatura não recebem, ao longo de seus cursos, informações sobre design instrucional ou uso de tecnologias, temas essenciais para o uso e desenvolvimento de REAs. Assim, faz-se interessante uma reestruturação curricular que vise incluir tais temas na formação dos futuros docentes de todos os níveis da educação.

Outro problema que vejo como importante no desenvolvimento perene de uma cultura que valorize a produção e distribuição dos REAs é o aparente desinteresse do poder público, enquanto gestor de práticas e recursos educacionais, pelo tema. O Estado tende, historicamente, à inércia. Isso quer dizer que as práticas de governança dificilmente passam por transformações profundas, e que estas só acontecem movidas por grandes pressões por parte dos grupos sociais interessados. Assim, é essencial que os acadêmicos envolvidos em estudos sobre REAs tomem parte junto ao governo visando motivar mudanças que apoiem investimentos e políticas públicas que sustentem a desejada produção e distribuição de REAs.

Finalmente, uma última recomendação que poderia ajudar a comunidade que está estabelecida em torno dos REAs é a adoção de uma língua universal. Talvez através do Esperanto, os REAs poedriam ser compartilhados e produzidos de forma global, ampliando a abrangência e alcance destes recursos. Atualmente, é incontestável a predominância do Inglês nos REAs disponíveis para uso, algo que limita o alcance destes a áreas e pessoas que compreendem tal língua. Assim, o Esperanto poderia oferecer uma alternativa mais simples e adequada à questão.”

Samuel Reece: aluno de sociologia da Utah State University. Sam aborda dois temas: como podemos encorajar a adoção do modelo, e a necessidade de caminhar para maior consenso em alguns temas básicos no movimento.

Problem #1
During the seminar we discussed at different points the generational gap that exists between the higher ups in the education pyramid and the use and understanding of technology that exists. At the K-12 level this problem still stands to be a large obstacle for the field to over come. How can we get school resources committed to this new form of education when the people making the decisions may not even know it exist?

Yes, we can make an attempt to educate these people and convince them of the potential effectiveness. But my proposition is for a more bottom up mentality. If we can promote the process and involve it in curriculums at the training level for future teachers, than young ambitious teachers will step into new jobs and be able to implement the use of OER’s into their classroom. This can be done by adding OER into required university level classes, discussion of OER in professional development for teachers, along with the continued development of onine repositories that teachers have access to. If OER truly does work, students will be more involved and productive in their class time, drawing attention to these new techniques from the administrators. Which will then require these people of older generations to take a serious look at this new approach and potentially allocate more resources to OER practices within the school systems.

Problem #2
Many different companies and projects are currently involved in the world of OER’s and ICT’s, my second major obstacle I see when it comes to the progression and potential implementation of these new approaches is trying to frame some form of consensus when it comes to defining even the most simple aspects of this technology. Such as what we mean by “open”?

Seemingly simple and straightforward when looked at, this idea is something that as laws and legislation on copyrights change in the coming future, will play a major role in how easy OER access will be and how many people potentially will join this growing field. As the field grows larger and more people include their thoughts an opinions it is very possible without some form of infrastructure that this “grey” area could become more and more clouded with a multitude of opinions. We as academics need to work together and develop some goals and basic frameworks for the best ways to progress the field to give it some form of direction. I terms of K-12 I propose making a distinction between primary and secondary education, organizing information in a way that it can be accessed and added to by both the private and public sectors of primary education. Bring people from around the country and world together who want to access and build on this knowledge and offer an interface for them to interact and build on the ideas of one another.

Aline Ribeiro (Pedagogia) aponta dois desafios e duas recomendações:

Linguagem. Muitos REA são criados e disponibilizados apenas em inglês. Diversas pesquisas já demonstraram que os usuários da internet estão espalhados pelo mundo todo e são falantes de diversos idiomas. Muitas vezes, o recurso se aplica as necessidades, mas não é escolhido para ser utilizado, pois há limitações. As línguas faladas no Brasil, por exemplo, não se encontram entre os idiomas mais falados no mundo.

Copyright. Existe bastante informação que pode ser acessada online, porem, nem sempre estamos autorizados a utilizar este material porque existem restrições legais. As licenças podem funcionar com uma barreira na utilização dos recursos, mas também podem auxiliar e facilitar nos momentos de busca e reuso desses materiais. Conhecer e escolher as melhores licenças ainda é um desafio.

Sugestões

Inovação. REA permitem que os professores transformem a prática regular em sala de aula em algo novo. Mas, para isso é preciso utilizar os recursos com o intuito de mudança e criação, para não repetir o que já está intrínseco no cotidiano da saulas, apenas com novas ferramentas. Alé, disso, professores devem ser encorajados a entender seus materiais (planos de aula, recursos) como repositórios coletivos. Os materiais e a troca de experiências podem ser uteis para outros colegas desenvolverem sua maneira de dar aula, superar desafios e etc.

Legislação. Assembléias sobre recursos educacionais abertos e materias didáticos livres devem ser promovidas e incentivadas. No Brasil existem alguns projetos de lei sendo debatidos por educadores, governantes, estudantes e diversos grupos interessados no assunto. Iniciativas como esta minimizariam os custos com material didático, pois o material poderia ser adaptado e cmpartilhado. Além de promover a prática de compartilhamento na rede e permitir a interação entre os conteúdos organizados pelos professores.

 

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