POERUP – Panorama global de iniciativas abertas

O POERUP, projeto finalizado em meados de 2014, fez um levantamento de aproximadamente 500 iniciativas REA ao redor do mundo e concluindo análises da política de 33 países em torno do tema. Alguns relatórios são breves, outros, bem detalhados. Há lá um sobre o Brasil.

CC-BY-SA, POERUP

Um análise transversal de 120 iniciativas traz alguns apontamentos interessantes. Foram selecionadas as que oferecem recursos (e não somente informativas), que fazem uso de licença aberta (como Creative Commons), iniciativas focadas em livros didáticos abertos, MOOCs (cursos massivos online; mesmo os cursos não-livres), e pelo grande número de iniciativas originárias nos EUA, somente um recorde das mesmas foi incluído.

POERUP - Open Textbooks
CC-BY-SA, POERUP
POERUP - Open Courses
CC-BY-SA, POERUP

Algumas conclusões do relatório:

  • O foco das iniciativas centra em três esferas: cursos abertos, livros abertos e coleções de recursos.
  • A grande maioria das iniciativas advém da América do Norte, com bom número da Europa e menos do que esperado na Ásia.
  • A maioria das iniciativas está em inglês (48%), na maioria, exclusivamente nesse idioma. Em algumas o inglês era parte de uma gama de outros idiomas (28%).
  • Há um foco no ensino superior (+ ou – metade) e somente 1/4 com enfoque em escolas.
  • O licenciamento é complexo, sendo difícil averiguar o grau de abertura das iniciativas.

A predominância da língua inglesa no universo dos REA é uma preocupação crescente. O enfoque no ensino superior é uma marca do movimento, que nos moldes atuais, focados na oferta de cursos e livros abertos, nasceu no ensino superior. A provisão de livros didáticos abertos vai ao encontro da demanda pela redução de custos no ensino superior, particularmente nos EUA. Iniciativas importantes no Brasil (Livro Didático Público/Projeto Folhas) e em outros países (como Siyavula) foram desenvolvidas para o ensino básico. Mas livros abertos tem um papel diferente no básico e no superior, o que muitas vezes é ignorado. Isso inclui, por exemplo, o processo de compra e adoção dos livros por escolas e professores. Por fim, a complexidade do licenciamento, e particularmente a comunicação clara sobre licenciamento com o usuário final, é algo que encontramos e pesquisamos no Brasil e na América Latina.

O relatório aponta para a necessidade padronização das informações sobre licenças e metadados (coisa que sugerimos nos artigos acima). Esses e outros relatórios baseados em investigação de repositórios e iniciativas ajudam de definir com mais precisão as lacunas e entraves de um movimento que cresce com rapidez ao redor do mundo. Ajuda também a identificar as forças políticas e os atores que, de maneira direta ou indireta, definem a pauta e as prioridades da educação aberta.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *