GAPMIL 2016: Alfabetização midiática e informacional

O GAPMIL é um grande evento organizado pela UNESCO para discutir questões relativas a “Media and Information Literacy” ou “Alfabetização midiática e informacional” (MIL ou AMI). A terminologia serve como um agregador de várias “alfabetizações”; o currículo para formação de professores elaborado pela UNESCO (traduzido para português) inclui, em AMI, terminologia já difundida como “alfabetização digital”, mas outras muito menos comuns como a “alfabetização cinematográfica”, a “televisiva” e a “publicitária”. No que tange a produção e disseminação de conteúdo e recursos educacionais, a interface entre AMI e REA/Educação Aberta é clara e essencial, mas ainda, mesmo nos documentos da própria UNESCO, pouco explorada de maneira explícita.

Fica claro que a premissa de AMI vai muito além do que já foi abordado anteriormente pela própria UNESCO em termos de formação docente e tecnologias. A declaração de Paris, focada em AMI, esclarece a premissa do movimento:

“Media and information literacy becomes increasingly necessary in the context of such developments in media as well as the economic, political and societal changes they entail. These changes include: media industries as big players; education policies that focus on economic competitiveness and efficiency; and the move towards “knowledge societies” as advanced forms of “information society”. Such changes draw attention to the importance of not substituting media and information literacy with computer literacy or IT literacy in educational and policy contexts (e.g. curricula, funding, teacher training etc.).”

O GAPIL de 2016 ano aconteceu na USP, em São Paulo, contando com uma grande diversidade de participantes de todos os cantos do planeta, apresentando iniciativas e questões relativas a MIL. Sem dúvida por conta do contexto eleitoral estadunidense, houve ênfase no papel da AMI para combater a proliferação e aceitação de notícias falsas (fake news). Houve também grande enfoque no protagonismo juvenil e na capacitação para produção local de informação e conteúdo jornalístico.

Participei da mesa que debateu questões relativas a privacidade, segurança e liberdade de expressão (MIL strategies in balancing equality, freedom of expression, privacy and security). O enfoque das apresentações e discussões foi na crescente intermediação das novas empresas de mídia (ou, no linguajar de MIL: “digital intermediaries”), como Google e Facebook, no âmbito da educação formal e não formal.

Com base em discussões que já fizemos (veja Lavits) sobre o crescente numero de “parcerias” entre instituições brasileiras de ensino superior, pesquisa e secretarias (no ensino básico) com essas empresas, apresentei a discussão: “Digital intermediaries”: Algumas implicações para instituições educacionais.

No debate entre os apresentadores e participantes de diversos países, percebemos uma preocupação em torno da falta de criticidade e transparência na entrega de dados pessoais, de produção e trajetória acadêmica e científica, sem maior debate ou discussão com quem crescentemente é forçado a ser “intermediado” (ou tem grande dificuldade de se desligar) por essas empresas simplesmente por estar associado a uma instituição de ensino, seja ela/e aluno, docente ou pesquisador. Isso acontece através do uso de um email ou repositório de arquivos com apoio institucional, ou ainda por conta do suporte e incentivo ao uso de LMSs das mesmas empresas (por exemplo, Google Classroom), muitas vezes em detrimento de soluções desenvolvidas pela instituição ou com base em software livre.

A apresentação que fiz está aqui disponível.

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